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sábado, 28 de abril de 2012

O tempo não me curou de nada até hoje


Há quem diga que o tempo cura tudo, mas o tempo não me curou de nada até hoje. E a culpa não é do tempo, ele não é remédio, não foi feito para curar coisa alguma. Não há ferida para ser curada, mas sim uma amputação, perdi uma parte importante de mim, muito mais importante que um braço ou uma perna, perdi minha filha, pode cicatrizar, mas,nunca voltará a ser igual,perdi!!!E quando perdemos não há nenhum outro igual, pode haver prótese para um braço ou uma perna amputada, mas nunca será o teu braço e a tua perna,e nunca mais será igual ao teu membro amputado!Passados oito meses, continuo  exatamente da mesma forma. Não voltei a ser quem eu era. Vivo uma vida de “verdade”, sem  me apegar a coisas fúteis e materiais.
É impossível voltar a ser como antes, quando o coração se parte, após algum tempo, as cicatrizes continuam lá, e passamos a ver e viver a vida de outra forma, como ser como antes, se uma parte de mim morreu junto com ela? O luto faz parte do processo de restauração, e esquecer seria um não-viver. A minha vida vai continuar, preciso continuar, eu sei, mas jamais será a mesma. Penso que tenho de ser sempre verdadeira e ser feliz quando for possível, pois me é impossível esquecê-la.
A saudade que sinto a falta que a Letícia me faz, a infância que não viveu, são coisas que machucam, mas, inexplicavelmente, uma força extraordinária não permite que o meu luto me deixe com pena de mim mesma, tenho muita pena de outras mulheres que perderam seus filhos, mas de mim não sinto pena, esta dor seca, silenciosa, reforça a lembrança, que por sua vez aguça a saudade que me faz estar com a Letícia para sempre perto de mim, principalmente nas situações mais difíceis, ou quando estou sozinha.Ela está aqui do meu lado,e isso me dá forças para continuar.
Letícia você vive em meus pensamentos, e esquecer seria um sofrimento maior do que a própria morte, pois significaria não tê-la mais. Ninguém a arrancou de mim: você continua comigo.  O tempo todo, você esteve aqui, comigo. Impossível não sentir isto. Impossível não ser feliz. Sua partida foi algo inesperado e inexplicável, mas estou bem. Mantenho a fé e a esperança na ressurreição, quando a verei de novo. Acredito nisto.
Até breve, minha eterna bebê.