Há cinco anos era
domingo, mas não parecia domingo... Nossa vida era acordar na casa de apoio e
ir para o hospital e esperar a hora da visita... Todos os dias eu segurava as
mãozinhas da Letícia, esperando que ela apertasse meus dedos, cantava pra ela e
dizia que a mamãe era fraca, não aguentava isso, não. Falava pra ela que a
família toda estava esperando ela e ela precisava ficar bem. Mas eu sentia que
estava perdendo a minha filha. Eu pensei nas sequelas que ela poderia ter se
melhorasse então eu pedi a Deus pra não deixar a minha filha sofrer, que eu
queria a minha filha bem e não sofrendo e s disse a Deus pra fazer o que fosse
melhor para ela, que meu coração de mãe aguentaria qualquer sofrimento, menos o
de ver a minha bebê sofrendo. ..
Letícia Karina um anjo que passou na minha vida e voltou para o céu.Pra sempre vou te amar e nada abala esse amor nem a vida,a morte,o tempo,nada pode substituí-la,vc é única.Tudo o que nos aconteceu da forma que aconteceu,me fez amá-la ainda mais,me fez querer aproveitar cada segundo que vc esteve aqui perto de mim. Deus disse: Perfeita demais para viver na terra!Só morre quem não é lembrado,mas vc Letícia estará sempre conosco,vc não morreu estará sempre viva em nossos corações e pensamentos!
domingo, 7 de agosto de 2016
sábado, 6 de agosto de 2016
Esperar...
Há 5 anos, não havia mais
esperanças, já havia sido feito dois exames clínicos que identificavam “sem
sinais cerebrais”, mas havia ainda dois exames EEG a serem feitos, então nos
restava esperar, esperar o que? A morte...
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
Batiado na UTI
Há 5 anos, percebi, me dei
conta, que não havia mais esperanças, então procuramos desesperadamente um
padre para batizá-la, e a batizamos não como desejávamos, mas, batizamos e logo
depois ela foi transferida para o isolamento da UTI, ou seja, era o pior
caso...E eu tomei comprimido para parar o leite, pois ela não mamaria mais...
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Segundo dia da eternidade...
Saímos
de casa com a Letícia no dia 03/08/2011, rumo a Florianópolis. Saí com a força
que me determinava a mover mundos e fundos para ajudar Letícia e com a coragem
que me dizia que tudo daria certo. Tamanha era a minha fé que eu nem cogitava a
possibilidade de algo dar errado. Lembro que logo após ela ter “voltado” nos
deram um termo de autorização para assinarmos e ali, pela primeira vez eu
pensei: “E se eu não quiser assinar?” Mas logo lembrei do porquê de estar ali e
eu sabia que não tinha mais volta, eu precisava assinar. Então a levaram e
aquele corredor parecia o maior corredor em que eu já havia estado. Fiquei ali
parada, esperando ela sumir do meu alcance, até que as portas se fecharam. Meus
olhos não me deixaram ver mais nada sem que as lágrimas embaçassem tudo. Ali eu
senti, pela primeira vez, o quanto eu era impotente diante de toda a situação.
Eu não sabia que a Letícia ficaria semimorta, num berço frio, sendo perfurada por
um monte de gente e eu não podia fazer nada, aliás, era eu que tinha levado a
Letícia para aquele lugar. Mas eu sabia que tudo aquilo era preciso e mesmo em
meio ao furacão de medo que eu sentia, eu ainda acreditava, tudo ia ficar bem! Ficamos
esperando e as 14h podemos ver a nossa menina, eu não tinha ideia de como
seria... não foi fácil vê-la entubada, sem seus cabelinhos, totalmente
pálida. Foi uma cena chocante vê-la ali, daquele jeito, deitada sem se mexer,
respirando porque o respirador estava estimulando, com os batimentos fracos,
saturação altíssima, pressão baixa, eu notei que algo estava errado. Então a
médica veio conversar com a gente e nos disse que ela estava sedada. Mas eu
estava tão cansada, meus peitos doíam, porque ela não havia mamado e me
sugeriram ir ao banco de leite para tirar e assim fui e assim fomos eu e papai
para a casa de apoio, coisa que eu nem sabia que existia, mas, que nos foi
muito útil...
No dia
seguinte dia 04/08 bem cedo fomos até a porta da UTI que se abriria somente as
10h, batemos na porta para obter notícias de como ela havia passado a noite e a
notícia foi que ela não havia acordado, pensei que ela estava ainda
sedada...Mas não...
Este
era apenas nosso segundo dia ali... Houve experiências tristes, muitas!! Foram
muitas perdas! Cada perda ali era como se um pedacinho da minha esperança
também fosse embora!
Fiquei
ali no hospital Infantil com a Letícia 8 dias, Deus me deu tranquilidade todos
os dias, devo ainda frisar, TODOS os dias. Eu sabia que a Letícia tinha poucas
chances, mas em momento algum me desesperei, entreguei nas mãos de Deus.
Na
visita da tarde outra médica nos disse a mesma coisa, ela não estava bem, e aí
eu comecei a realmente entender o que estava acontecendo, mas, mesmo assim, eu
conversava com ela, dizia que ela tinha que ficar boa para ir para casa comigo.
Ela não estava respondendo ao tratamento, nada fazia efeito e ela continuava
muito mal, muito grave. Voltamos para a visita da noite e outra médica nos
disse que ela estava mal, fomos para a casa de apoio rezei, implorei pra que ela
ficasse bem, que eu queria trazê-la pra casa. E rezando eu dormi.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Era o começo do fim...
Já se
passaram 5 anos,mas, não consegui dormir esta noite, uma ansiedade... se eu fecho os olhos, consigo ver aquela madrugada em que
saímos com destino a Florianópolis, numa noite fria, lembro que peguei sua
mãozinha e estava gelada e eu a segurei e soprei para esquentar, lembro que
você não chorou, eu pensava que era a nossa primeira viagem, mas não, foi a
nossa única viagem...Lembro de quando chegamos no hospital eu vi muitas
crianças doentes e eu agradeci a Deus por você não ter aquelas doenças...Lembro
que eu a queria nos meus braços e neste dia não deixei tua madrinha ficar
contigo...
Lembro do momento em que percebemos que você não estava bem e
corremos com você naquele hospital, lembro do choro, das rezas, do teu pai
quase desmaiando,ah meu Deus porque tanto sofrimento? Lembro daquela sala em
que médicos tentavam te reanimar, lembro de você indo para a UTI, lembro que te
vi naquela UTI, mas, naquele dia eu ainda tinha esperanças...Cortaram todo teu
cabelinho, tiraram teus brinquinhos, me entregaram tuas roupinhas...Era o
começo do fim...
terça-feira, 2 de agosto de 2016
último dia em casa...
Então há 5 anos atrás fiz tuas malas, para passar apenas dois dias fora, fazer exames, mas você quis ir mais longe e sem levar malas...Eu não sabia mas vivemos nosso último dia em nossa casa...
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
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