domingo, 7 de agosto de 2016

Eu não queria, mas pedi...

Há cinco anos era domingo, mas não parecia domingo... Nossa vida era acordar na casa de apoio e ir para o hospital e esperar a hora da visita... Todos os dias eu segurava as mãozinhas da Letícia, esperando que ela apertasse meus dedos, cantava pra ela e dizia que a mamãe era fraca, não aguentava isso, não. Falava pra ela que a família toda estava esperando ela e ela precisava ficar bem. Mas eu sentia que estava perdendo a minha filha. Eu pensei nas sequelas que ela poderia ter se melhorasse então eu pedi a Deus pra não deixar a minha filha sofrer, que eu queria a minha filha bem e não sofrendo e s disse a Deus pra fazer o que fosse melhor para ela, que meu coração de mãe aguentaria qualquer sofrimento, menos o de ver a minha bebê sofrendo. ..

sábado, 6 de agosto de 2016

Esperar...

Há 5 anos, não havia mais esperanças, já havia sido feito dois exames clínicos que identificavam “sem sinais cerebrais”, mas havia ainda dois exames EEG a serem feitos, então nos restava esperar, esperar o que? A morte...

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Batiado na UTI


Há 5 anos, percebi, me dei conta, que não havia mais esperanças, então procuramos desesperadamente um padre para batizá-la, e a batizamos não como desejávamos, mas, batizamos e logo depois ela foi transferida para o isolamento da UTI, ou seja, era o pior caso...E eu tomei comprimido para parar o leite, pois ela não mamaria mais...

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Segundo dia da eternidade...

Saímos de casa com a Letícia no dia 03/08/2011, rumo a Florianópolis. Saí com a força que me determinava a mover mundos e fundos para ajudar Letícia e com a coragem que me dizia que tudo daria certo. Tamanha era a minha fé que eu nem cogitava a possibilidade de algo dar errado. Lembro que logo após ela ter “voltado” nos deram um termo de autorização para assinarmos e ali, pela primeira vez eu pensei: “E se eu não quiser assinar?” Mas logo lembrei do porquê de estar ali e eu sabia que não tinha mais volta, eu precisava assinar. Então a levaram e aquele corredor parecia o maior corredor em que eu já havia estado. Fiquei ali parada, esperando ela sumir do meu alcance, até que as portas se fecharam. Meus olhos não me deixaram ver mais nada sem que as lágrimas embaçassem tudo. Ali eu senti, pela primeira vez, o quanto eu era impotente diante de toda a situação. Eu não sabia que a Letícia ficaria semimorta, num berço frio, sendo perfurada por um monte de gente e eu não podia fazer nada, aliás, era eu que tinha levado a Letícia para aquele lugar. Mas eu sabia que tudo aquilo era preciso e mesmo em meio ao furacão de medo que eu sentia, eu ainda acreditava, tudo ia ficar bem! Ficamos esperando e as 14h podemos ver a nossa menina, eu não tinha ideia de como seria...  não foi fácil vê-la  entubada, sem seus cabelinhos, totalmente pálida. Foi uma cena chocante vê-la ali, daquele jeito, deitada sem se mexer, respirando porque o respirador estava estimulando, com os batimentos fracos, saturação altíssima, pressão baixa, eu notei que algo estava errado. Então a médica veio conversar com a gente e nos disse que ela estava sedada. Mas eu estava tão cansada, meus peitos doíam, porque ela não havia mamado e me sugeriram ir ao banco de leite para tirar e assim fui e assim fomos eu e papai para a casa de apoio, coisa que eu nem sabia que existia, mas, que nos foi muito útil...
No dia seguinte dia 04/08 bem cedo fomos até a porta da UTI que se abriria somente as 10h, batemos na porta para obter notícias de como ela havia passado a noite e a notícia foi que ela não havia acordado, pensei que ela estava ainda sedada...Mas não...
Este era apenas nosso segundo dia ali... Houve experiências tristes, muitas!! Foram muitas perdas! Cada perda ali era como se um pedacinho da minha esperança também fosse embora!
Fiquei ali no hospital Infantil com a Letícia 8 dias, Deus me deu tranquilidade todos os dias, devo ainda frisar, TODOS os dias. Eu sabia que a Letícia tinha poucas chances, mas em momento algum me desesperei, entreguei nas mãos de Deus.
Na visita da tarde outra médica nos disse a mesma coisa, ela não estava bem, e aí eu comecei a realmente entender o que estava acontecendo, mas, mesmo assim, eu conversava com ela, dizia que ela tinha que ficar boa para ir para casa comigo. Ela não estava respondendo ao tratamento, nada fazia efeito e ela continuava muito mal, muito grave. Voltamos para a visita da noite e outra médica nos disse que ela estava mal, fomos para a casa de apoio rezei, implorei pra que ela ficasse bem, que eu queria trazê-la pra casa. E rezando eu dormi.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Era o começo do fim...

Já se passaram 5 anos,mas, não consegui dormir esta noite, uma ansiedade... se eu fecho os olhos, consigo ver aquela madrugada em que saímos com destino a Florianópolis, numa noite fria, lembro que peguei sua mãozinha e estava gelada e eu a segurei e soprei para esquentar, lembro que você não chorou, eu pensava que era a nossa primeira viagem, mas não, foi a nossa única viagem...Lembro de quando chegamos no hospital eu vi muitas crianças doentes e eu agradeci a Deus por você não ter aquelas doenças...Lembro que eu a queria nos meus braços e neste dia não deixei tua madrinha ficar contigo...
Lembro do momento em que percebemos que você não estava bem e corremos com você naquele hospital, lembro do choro, das rezas, do teu pai quase desmaiando,ah meu Deus porque tanto sofrimento? Lembro daquela sala em que médicos tentavam te reanimar, lembro de você indo para a UTI, lembro que te vi naquela UTI, mas, naquele dia eu ainda tinha esperanças...Cortaram todo teu cabelinho, tiraram teus brinquinhos, me entregaram tuas roupinhas...Era o começo do fim...

terça-feira, 2 de agosto de 2016

último dia em casa...

Então há 5 anos atrás fiz tuas malas, para passar apenas dois dias fora, fazer exames, mas você quis ir mais longe e sem levar malas...Eu não sabia mas vivemos nosso último dia em nossa casa...

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Desgosto!

Semana difícil,início do pior mês da minha vida, mês que 

perdi você, mês de desgostos...