terça-feira, 7 de agosto de 2012

EU RECORDO COM SAUDADE E JAMAISSSS Tristeza 51


Há um ano era domingo, o segundo exame clínico afirmou novamente sem sinais cerebrais. O dia amanheceu quieto, parado, fui novamente tirar o leite no banco de leite... Veio o vovô nos dar uma força e o padrinho Vado veio ficar conosco em Florianópolis. O vovô foi visitá-la na UTI, mas, não agüentou vê-la e logo saiu. A noite vem a notícia que a Letícia estava com infecção hospitalar, portanto, a doação de órgão já era impossível, mais um desgosto... . Todos os dias eu dormia e acordava só pensando no milagre que Deus podia realizar, eu tinha muita esperança ainda, mas o que eu não sabia é que Deus tinha outros planos em mente, algo que talvez eu não entenda, mas que preciso aceitar. Estava chegando o dia que Deus queria a Letícia junto dele novamente, pois eu enxergo o hoje, o agora, Deus que é onisciente, vê o amanhã. Não sei o que o futuro poderia reservar para ela.
 No começo eu ficava pensando: Por que a minha filha? Por que eu tenho que ficar sem ela?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

EU RECORDO COM SAUDADE E JAMAISSSSSSSSS Tristeza 50

Há um ano era Sábado, acordei, mesmo tendo tomando remédio, com os seios cheios de leite e quanta dor física e emocional! Se eu tinha leite é porque ela queria mamar!Fui novamente tirar o leite chorando sem parar... Cogitamos da possibilidade de doação de órgãos, pensei se a Letícia precisasse de apenas um órgão para viver, eu gostaria que alguém doasse a nossa idéia foi muito admirada por toda a equipe médica. E se os órgãos da Letícia não serviam mais para ela porque enterrar o que poderia salvar uma vida?Ela continuaria viva em alguém!Apesar da situação me animei com esta possibilidade. O Luiz começou a pensar em comprar um terreno no cemitério, já era inevitável, mas que horror, ao invés de comprar roupinhas, bonequinhas... Comprar um terreno no cemitério para a minha filhinha.

Na UTI Neo os horários de visitas era das 11h ás 22h, mas ficávamos das 7h até as 11h sentados num banco esperando para entrar para ver a Letícia. 



Eu segurava sua mãozinha, mas ela não apertava meus dedos... Não tinha reação nenhuma.Seus olhos ficavam entreabertos,então eu cantando: “Dorme nenê que a cuca vem pegar...”,segurava seus olhinhos fechados,e assim eles ficavam fechados por algum tempo... É muito difícil ter um filho na UTI, você convive com o medo 24 horas por dia, quando tocava o telefone da casa de apoio a noite , meu coração disparava. Lembro-me de uma criança que estava na UTI que a família residia perto da minha cidade com uma doença rara, faleceu naquele sábado, prestei muita atenção em tudo, pois sabia que um dia chegaria minha vez... A noite seria realizado mais um exame clínico para confirmar a morte encefálica.
Naquele hospital, os dias se arrastavam intermináveis. Letícia, morrendo... Engoli em seco, segurei-me na força que Deus me deu naqueles dias angustiantes Mas, por dentro, eu me quebrava em mil pedaços, enquanto segurava com imensa dificuldade, as lágrimas que ameaçavam derramar-se, com uma dor que fazia arder meu peito.
Que agonia, meu Deus, ver minha filhinha indo embora pra junto de TI tão depressa!Ainda hoje, Um ano, fico sem acreditar, sem compreender, sem me acostumar com a sua ausência... E choro horas seguidas,
A saudade doendo, sangrando, Nenhuma dor é maior do que a perda de um filho. Ninguém sabia nos dizer por que a parada cardíaca, então de tanto perguntar um médico nos disse: “Morte súbita”, chegando em casa procurei sobre o assunto:

Morte súbita dos bebês

Os riscos da morte súbita. A morte súbita do lactante é a primeira causa de morte nos países ocidentais em crianças entre um e doze meses. Isso se converteu num verdadeiro pesadelo que atormenta a muitos pais. Segundo as últimas estatísticas, na Europa morrem por ano 5 mil lactantes, vítimas da síndrome da morte súbita. Na Espanha, morrem em média 100 bebês por ano, o que se traduz em que a síndrome afeta um em cada mil bebês. Enquanto a mortalidade infantil tem diminuido substancialmente nos países desenvolvidos, a síndrome tem aumentado em importância.

O que é a morte súbita?A Síndrome da Morte Súbita do Lactante (SMSL) se define clinicamente como a “morte repentina e inesperada de um lactante aparentemente sadio”. No Brasil também é chamada de “morte do berço” e representa a causa de morte mais importante em lactantes com idade inferior a um ano, excluindo o período neonatal.

Assistência aos pais A morte súbita e inesperada de um bebê produz enorme dor aos pais e seus familiares. Quando um bebê morre por causa desconhecida, como é o caso da síndrome, essa dor é acompanhada da pergunta: “Por que meu filho morreu? (retirado do site: http://br.guiainfantil.com/saude/204-morte-subita/386-morte-subita-dos-bebes.html)


Uns meses Depois encontrei algo interessante;
 As principais causas de óbito entre os pacientes com Fibrose Cistica são a insuficiência respiratória e o cor pulmonale, além da desnutrição resultante da síndrome de má-absorção.(retirado do site: http://www.fibrosecistica.com/fibrose-cistica-incidencia-e-sintomas.html)
(Claro a Letícia tinha F.C, teve insuficiência respiratória e desnutrição).

Hoje, sei que ela esta bem melhor ao lado do nosso Deus do que onde estava.Filha linda, minha anjinha Letícia, sei que você está daí de cima cuidando de nós.A saudade que sinto de acariciar sua cabecinha pra você dormir é grande, mas Deus está nos consolando, como sempre fez desde o início de tudo.Minha linda e adorável Letícia, você deixou muitas saudades.
Te amo muito e nunca vou te esquecer!


domingo, 5 de agosto de 2012

EU RECORDO COM SAUDADE E JAMAISSSSSSSSS Tristeza 49


Há um ano era sexta-feira, na madrugada não conseguia dormir então quebrei a regra da casa e fui até o quarto masculino, e fui até a cama do Luiz, deitei com ele chorando e acabei dormindo um pouco, acordei cheia de dores novamente, com os seios empedrados de leite, fomos até o hospital, bati na porta da UTI para saber como a Letícia tinha passado a noite e saber do exame clínico, mas, como sempre mandaram-nos esperar...Fomos até a assistente social insistir no padre para o batizado e notamos a falta de vontade então num instinto saímos caminhando a procura de uma igreja,pedi para as pessoas na rua... Minha família sempre foi religiosa. Minha mãe não perde um final de semana a igreja e quando perde pensa que cometeu um pecado grave, meu pai até hoje guarda o quadro com a lembrança da sua primeira comunhão, minha irmã vive na igreja. Eu já cheguei a freqüentar oficina de oração, ministrei catequese e até curso de batizado. Fiz Primeira Comunhão, casei na igreja. Também rezo antes de dormir (vez ou outra, caio no sono antes do Amém!), sempre tinha no pescoço uma medalha milagrosa que já havia me dado muitas graças... Era de bijuteria, mas, o Luiz vendo minha fé me deu de presente uma de ouro. Quando fui para a cesárea ter a Letícia tive que tirar e pedi que o Luiz segurasse-a na hora em que estivesse no centro cirúrgico. Minha Letícia nasceu, e eu nem me recordo se agradeci a Deus por este milagre. Só me recordo de pedir a Ele a saúde da pequena. Os dias se passaram, e minha fé em Deus parecia estar aumentando. Todo o dia rezava junto à pequena, pegava-a no colo e a levava para frente da TV, era novenas e mais novenas, já tinha até decorado os horários da benção do santíssimo Sacramento... Eu passava horas rezando ao lado de minha pequena, desde o primeiro dia em que fui visitá-la na incubadora rezava o santo Anjo depois em casa eu e o Luiz colocávamos a mão em sua cabecinha e rezávamos o santo anjo.Rezava o dia todo. Às vezes me pegava rezando sem saber o porquê, só para me acalmar. Fiz promessas... Eu queria muito batizar a Letícia... Eu sonhava com o batizado e uma festa, queria que fosse ao mês de outubro antes mesmo dela nascer, o Luiz achava que era tarde, mas, depois que ela nasceu prematura, ele concordou em batizá-la em outubro, até porque tínhamos planejado fazer o curso de batizado no dia 19/6, ela nasceria dia 24/07, mas como ela nasceu prematura neste dia ela estava com Dois dias de vida, então o próximo curso seria em agosto e nós estávamos em Florianópolis...Eu lembrei que quando ela tinha dois dias e foi submetida a cirurgia foi me sugerido para batizá-la,eu disse NÃO,ela vai viver e eu vou batizá-la na igreja com uma grande festa! Mas agora ela estava com suspeita de morte cerebral então eu precisava batizá-la. Nós caminhávamos nas ruas de Florianópolis a procura de uma igreja e de um padre aos prantos. Lembrei da minha prima que morava em Florianópolis e que antes de sair de casa pedi para o Luiz marcar o telefone dela no celular, liguei e expliquei o quadro da Letícia pedi a ajuda na procura de um padre, que me acalmou e disse que se fosse preciso iria até o fim do mundo achar um padre. Logo me trouxe um padre e o batizado foi feito ali na UTI, ela não estava com o vestidinho branco que eu sempre imaginei, mas, a batizamos. Meus primos aceitaram serem seus padrinhos. Eu chorava de soluçar. Antes de ir embora, o padre me abraçou e disse para eu acreditar em Deus e confiar nos planos Dele. Acreditei. Acreditei em todos os momentos que ela melhoraria. Depois do batizado uma médica veio nos contar sobre o exame clínico feito na noite anterior que havia confirmado que a Letícia estava sem sinais cerebrais, mas, para a confirmação, seriam necessários mais um exame clínico e dois EEG,com intervalos de 24h cada.Minha prima nos perguntou se precisávamos de algo,logo, o Luiz respondeu a Liliane precisa tomar um remédio para secar o leite,ela,saiu dali e trouxe o remédio,tomei-o rapidamente,mas ,não antes de lembrar o quanto havia me esforçado para produzir esse leite;os exercícios nos seios recomendados pelo ginecologista desde a primeira consulta no pré natal,as rezas para que tivesse leite o suficiente para amamentá-la,as comidas que minha mãe me trazia e os chás,os chás de erva doce que perfumavam minha casa e que eram tomados a toda hora...Depois veio outra médica nos relatando que a Letícia seria transferida para a UTI neo-natal,pois ,estavam precisando daquele leito na UTI geral e ela era a bebe mais pequena dali.Na UTI –Neo a Letícia foi colocada num isolamento,depois entendi,ela estava praticamente morta...não era legal ficar entre os vivos...Mas os médicos da UTI Neo eram mais dedicados,atenciosos,o tempo de visita era maior e eu podia visitá-la juntamente com o Luiz,na outra, só podia um de cada vez.Meus primos a partir daquele dia nos faziam companhia todo o tempo que podiam, insistiram para que eu fosse até seu apartamento,acabei aceitando,lá me fizeram chimarrão,fazia 49 dias(idade da Letícia) que eu não tomava uma cuia de chimarrão,para não fazer mal a Letícia,tomei aquela cuia em lágrimas.

 Fim da vida

Minha vida...
minha vida acabou ali,
naquele instante.

Ali perdi o chão,
ali senti que não podia mais voar.

E então apartir dali já não mais vivi minha vida...
apenas sobrevivi a sua ausência...



(desconheço autoria)

sábado, 4 de agosto de 2012

EU RECORDO COM SAUDADE E JAMAISSSSSSSSS Tristeza 48


Há um ano era quinta-feira...Acordei naquela casa de apoio,tudo o que aconteceu ficava rodando na minha cabeça, não via a hora que o dia clareasse, meus seios doíam muito, parece que pesavam 10k. Eu queria minha filha, eu queria minha casa, eu queria não estar ali... Naquela manhã comecei a raciocinar o que tinha acontecido então me desesperei. Meu Deus se a Letícia teve parada cardíaca, deve ter faltado oxigênio no cérebro, então, ela poderá ficar com seqüelas gravíssimas, ela pode ficar com paralisia cerebral????Chorei,gritei,fui a loucura dentro do meu carro, único lugar que podia ficar, pois a casa de apoio era para dormir a UTI tinha horário para entrar,foi que o Luiz gritou comigo:”você se acalme porque se você ficar doente vão te levar para outro hospital e você vai ficar longe da Letícia e eu vou fazer o que?” Hoje entendo o que era aquilo, era a perda da minha filha, eram os sentimentos conturbados e eu perdendo literalmente os sentidos... A dor psicológica transpassou a dor física, digo que naquele momento poderia me cortar toda que eu não sentiria mais a dor física...Acredito que muitas passaram por coisas tão sofridas quanto eu. 


Fui até o banco de leite, mas, já estava perdendo as esperanças que ela ainda iria mamar, por isso eu evitava tomar líquidos, não queria nem tomar água para não ter leite. No banco de leite eu chorava ao ver o leite jorrando, a Senhora que cuidava do Banco conversava muito comigo e dizia que rezava muito por mim e pela Letícia,dizia-me que era para eu a considerar uma mãe,já que estava tão sozinha numa cidade desconhecida.
Fomos na capelinha do hospital,lá eu disse para o Luiz que queria batizá-la ele me disse que se batizássemos ela lá não poderíamos batizar em Joaçaba e não poderíamos fazer a festa que tínhamos planejado,eu não queria mais festa,não queria mais nada...A tarde houve uma reunião com os pais das crianças da UTI,ai eu vi tantas mães passando pelo mesmo sofrimento que eu e estavam ali firmes e prontas a me apoiar. No início, a UTI assusta um pouco pois os aparelhos apitam a todo momento e a cada som o coração dispara. Com rapidez tratei de entender o que significava cada um deles e o porque apitavam. Já tomava conta até dos aparelhos dos outros bebês avisando as enfermeiras quando algo acontecia. A noite um médico veio até mim quando eu estava conversando com a Letícia(porque eu conversava muito com ela,eu tentava a encorajar a melhorar,dizia para ela que como ela se saiu bem quando nasceu prematura,quando fez a cirurgia com 2 dias de vida se sairia bem desa também,chegava até brigar com ela eu dizia;saí dessa Letícia,vamos pra casa,nós estamos tão longe de casa,porque você fez isso comigo?)Então eu perguntei para o médico como ela estava e ele me disse ela vai ter sequelas, eu logo perguntei, mas, ela está sedada? Ele disse sim, mas, vai ter sequelas, naquele momento não imaginei as seqüelas... Só queria minha filha... Mas, logo veio uma médica e eu não resisti e perguntei: Como está o quadro da Letícia então ela não me poupou e disse já fez 24h e não voltou ela pode estar com Morte encefálica.Então eu perguntei mas ela não está sedada ela disse não,faz quase 24 h que foi tirada a sedação e ela não voltou a noite faremos um exame clínico para ver se há sinais cerebrais,isso me tirou o chão,entendi que aquele médico estava com pena de mim e não quis me contar a verdade,na realidade eu já suspeitava,eu já tinha estudado sobre isso...mas não queria admitir...Quanto mais desamparados nos sentimos, parece que mais sinais buscamos encontrar. Foi o que estava acontecendo comigo. Ver minha filhinha na UTI, cheia de eletrodos, acessos, inchada e sem seus cabelinhos dava uma angústia sem fim. Maior que isso só a dúvida. O não saber o que iria acontecer estava acabando comigo e com o Luiz. Aquela ansiedade por querer saber se ela ia melhorar se teria sequelas, se iria para casa, se sobreviveria ou não, se suportaríamos, estressa demais qualquer ser humano. A carência de respostas acaba nos levando a buscá-la nos acasos do dia-a-dia. A cada manhã, ao acordar, agradecia a Deus por nada ter acontecido; o leite que não parava de descer. Seria algum sinal? A verdade é que a vida é um mistério. Não há respostas, não há sinais. Pessoas que chegam a hospitais com sintomas irrelevantes morrem de uma hora para outra. Outras, com as mais severas doenças, com os piores prognósticos, sobrevivem bravamente.Lembro quando estava grávida,quantas mulheres grávidas tiveram que ser internadas em hospitais e eu estava ótima e agora eu estava ali,perdendo minha filha. Por que isso acontece? Médicos melhores que outros? Talvez. Fé mais forte? Creio que não. Destino? É a única resposta plausível. Aprendi que, antes de chegarmos a esta vida, já conhecemos o caminho a que iremos percorrer. Eu sabia, a Letícia sabia. Ela confiou a mim seu pequeno destino, e eu topei estar com ela nesta empreitada. Assim foi, e assim devo seguir a minha vida. Cheia de perguntas, sem nenhuma resposta.

_Pedi muito para que Deus a curasse, Relutei em entregar minha bebê à Deus, mas não conseguia mais vê-la sofrer. Rezei:Deus se for para que meu anjo sofra, leve-a consigo, alivia seu sofrimento. Quero muito que o Senhor a cure, mas que seja feita Sua vontade. Se a manter viva, que ela fique saudável.

Hoje, sei que DEUS atendeu meu pedido, mas  deu a mim o que eu precisava, não o que desejava. livrou a Letícia das dores e sofrimentos, da doença e desse mundo. Eu pedi a DEUS, que se fosse para ela sofrer, que DEUS a levasse e DEUS a levou, porque não é possível passar por esta vida sem sofrer. DEUS simplesmente a atendeu deu o MELHOR para minha bebezinha,minha anjinha tão amada, tão desejada, A VIDA ETERNA.

Minha anjinha, o coração da mamãe dói de tanta saudade e de tanta vontade de vê-la, nas minhas orações só peço para Deus que você esteja num lugar lindo e que se for para o teu bem que você volte, e peço também para sonhar contigo!

Te amo eternamente!



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

EU RECORDO COM SAUDADE E JAMAISSSSSSSSS Tristeza 47

Me devolveram o pijaminha rasgado.Começava ali um filme de Terror.

Há um ano... Acordamos a 1h para irmos para Florianópolis, coloquei nela um pijaminha novo, presente da madrinha Kátia,quando coloquei,ela ficou simplesmente LINDA, falei que queria tirar uma foto,pois o pijaminha era pequeno então ficou bem nela,ao contrário dos outros que ficavam enormes,mas, como estávamos com pressa deixei para tirar a foto noutro dia..Já tínhamos reservado hotel para dois dias. Ela dormiu a maior parte da viagem, mamava e dormia como um anjo... Foi a primeira vez que usou o bebe conforto, as outras vezes que saia com ela de carro, sempre a levei no colo, era dentro da cidade, e nunca algum policial me parou. Lembro que no decorrer da viagem peguei na mãozinha dela e estava gelada de frio,não agüentei a peguei no colo para esquentá-la. Tive um sonho em apenas um instante que dormi sonhei que via uma moça morena com os olhos pequenos da Letícia, quando acordei pensei que legal sonhei com a Letícia quando ela ficar moça e ela vai ser LINDA!!!!Mas, eu nem suspeitava o que estava por acontecer... 

Chegamos ao Hospital, lembro que fiquei olhando as mães chegarem ao hospital com as crianças doentes, muitas de cadeira de rodas, era horrível... Pensava... Que bom que a Letícia está bem...

Foi o último dia em que a tive em meus braços Estando você consciente disso. Foi o último dia em que te amamentei o último dia que troquei tua fraldinha.

O que me recordo daquele dia, daquela viagem a Florianópolis, era um dia de muito vento só não sabia que seria um dia tão longo. Fui para Florianópolis apenas para fazer um exame!!!!!Lembro que antes do exame achei uma capela dentro do hospital,fui lá e pedi para que o exame desse negativo para F.C.Entrei sozinha com a Letícia para fazer o Teste do suor e a enfermeira começou a mexer nos bracinhos dela e ela chorou,chorou,chorou...eu colocava meu rosto no rostinho dela para acalma-la...A enfermeira me disse que ela poderia não ter F.C...me deu uma esperança novamente...saí do Teste e eu o Luiz e a Kátia fomos para a frente do hospital esperar o tempo para entrar e pesá-la e concluir o Teste,ela mamava e parava eu oferecia o peito novamente e logo ela parava cheguei a comentar que ela estava com muito sono a Kátia disse que ela poderia estar estranhando o lugar.Diversas vezes a Kátia se ofereceu para pega-la no colo e eu não quis.Quando fui colocá-la para pesar na balança e ela estava molinha, pensei que estava sonolenta, mas nunca tinha visto igual, então corremos com ela, a enfermeira a sacudiu e nada! E nós ali sem compreendermos bem o que estava acontecendo. Recordo-me que o tempo parou, eu não me localizava mais espacialmente, sabe quando a gente assiste a um filme e o relógio pára, foi mais ou menos isto que senti. Sei que as coisas estavam acontecendo e eu anestesiada ali, abobada, boca aberta... Lembro-me também do Luiz gritando a Letícia morreu e eu dizia NÃO, nós viemos aqui só para fazer um exame! Nesse momento, eu chorava tanto que parecia que aquilo não era real, que eu estava num pesadelo. Depois que me acalmei, eu pensava: para a medicina não tem cura, mas eu creio no Deus do impossível, no Deus que pode curar, então está tudo sob controle, Deus vai curar a minha filha, Deus, Frei Bruno, Nossa Senhora da Medalha Milagrosa... Eu Pedi,pedi,pedi...Trouxeram para mim um saco com as roupinhas da Letícia... A Letícia foi reanimada e foi levada para a UTI e eu naquela loucura pensei que estava tudo bem, ficaria um ou dois dias e sairia dali linda e perfeita, fomos até a UTI, lá estavam mães de crianças da UTI relatando as histórias de seus filhos, muitas doenças raras, algumas que já estavam ali há alguns meses, mas, eu pensava coitadas! Ainda bem que a Letícia já está bem, só vai tomar um sorinho e logo estaremos indo para casa! Minutos depois me entregaram seus brinquinhos. Quando entrei para visitá-la levei um choque, cadê seus cabelinhos?

Letícia disseram-me que você estava sedada, então era normal que você não mostrasse nenhum gesto, apenas dormia... Fui tirar o Leite no banco de Leite, para não secar quando você melhorasse.  Te reanimaram,mas,.na minha concepção, você morreu neste dia, no exato momento em que teu coraçãozinho parou de bater,e perdeu  para sempre, a consciência.

Nos encaminharam para uma casa de apoio,um cenário totalmente diferente,não sei nem explicar,nunca me imaginei ali,era uma casa com cozinha e dois quartos com beliches,um feminino e um masculino.A noite foi horrível,apesar de não ter dormido nada o dia todo eu não tinha sono,eu queria chorar mas, ao meu lado havia pessoas estranhas,adultos e crianças,então eu chorei no banho...

Faz um ano. Que recebi a maldita notícia!...Que me tirou do chão!...Que a  minha vida ficou mais triste!...Que a minha alma ficou destruída!É algo que nunca se esquece... Mas hoje te tenho aqui dentro de mim, o que faz de mim a mãe mais feliz do mundo!Mas não há dia em que o medo não passe perto do coração... Te amo  tanto...

Às vezes acho que vou acordar e nada disto aconteceu, a Letícia está aqui, crescendo e nós estamos felizes, tudo não passou de um pesadelo... Mas não, aconteceu não perdi apenas a Letícia, mas perdi sonhos, planos e projetos. Só quem passa pela dor da perda de um filho pode compreender o que estou dizendo.

Já voltei do cemitério fui levar umas flores,pois hoje é 1 ano que o pesadelo começou,que o sonho acabou...

Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

 (Felicidade Caetano Veloso)




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

EU RECORDO COM SAUDADE E JAMAISSSSSSSSS Tristeza 46


Quem diria que seria nosso último dia em casa?Que dia frio! Coloquei na Letícia uma toquinha amarela que ela simplesmente ficou linda! Recebi a visita da vizinha, eu estava com a cozinha na maior bagunça, a Letícia estava chatinha, só queria colo, ela se ofereceu para ficar com ela para eu fazer o serviço, mas a minha filha era minha!Eu largava tudo para ficar com ela. Mais tarde minha mãe veio como todas as tardes, pedi para ela ficar com a Letícia para eu fazer umas rosquinhas, ela dormiu no colo da vovó o tempo todo em que eu fiz e fritei as rosquinhas logo que acabei ela chorou e a peguei,só esperou eu terminar.
 Há exatamente um ano, eu ainda tinha você. Ficou conosco em casa exatos 40 dias... Foram os melhores das nossas vidas. À noite lembro que te peguei no colo e chorei,chorei,chorei, sem saber o por que...depois queria que você dormisse afinal sairíamos a 1h da manhã e papai tinha que dirigir e você não queria dormir... Como se estive falando que era a ultima noite que estava junto a nós.
Quem diria que eu que não acreditava em crendice popular fosse concordar que agosto é o mês do desgosto?Para mim em 2011 foi, tive o maior desgosto da minha vida!
Ah! Meu Deus se eu pudesse voltar atrás...Teria lhe dito várias vezes sem cansar:"Eu te amo minha bebezinha"Não teria feito nada além de te beijar e aproveitar cada segundo, sem tirar os olhos de você...  Se tivessem me avisado que era a última vez, eu poderia implorar pra que você ficasse mais um pouco comigo, para te acariciar, te mimar, explicar que mais um pouco seria muito pouco, e que por menos que fosse já seria muito para mim... Se eu soubesse que hoje seria o último dia a compartilhar com você... ...o sentiria muito mais intensamente em vez de deixá-lo simplesmente passar.
Sempre acreditamos que haverá o amanhã...
 Se eu soubesse, ah, se eu soubesse!  Se eu soubesse que essa seria a última vez que eu veria você dormir... Se eu soubesse que essa seria a última vez que sairíamos de carro. Se eu soubesse que essa seria a última vez que ouviria seu chorinho, eu filmaria cada gesto, para que eu pudesse ver e ouvir de novo, dia após dia Se eu soubesse que essa seria a última vez, eu gastaria um minuto extra ou dois, para parar e dizer: EU TE AMO...
 Ela era realmente um anjinho, só chorava para tomar banho e trocar a fralda, mamava que parecia um bezerrinho... Quantas vezes eu estava morrendo de sono... E ela parava de mamar ficava me olhando... Quanta saudade... Ao lembrar tudo isso!!!
Cada vez mais tenho certeza que a Letícia foi um anjinho enviado por Deus para melhorar nossas vidas... Passou por tanta dificuldade... E ainda assim era uma bebê serena....
Te amo minha linda...cada vez que a saudade aumenta o amor aumenta junto......
É tão tarde, a manhã já vem
Todos dormem, à noite também
Só eu velo por você, meu bem
Dorme anjo, o boi pega neném
Lá no céu deixam de cantar
Os anjinhos foram se deitar
Mamãezinha precisa descansar
Dorme anjo, papai vai lhe ninar (Acalanto Roberto Carlos)

Te amei ontem,te amo hoje e te amarei eternamente!!!!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

EU RECORDO COM SAUDADE E JAMAISSSSSSSSS Tristeza 45


A um ano era segunda feira. A Letícia acordou calminha, aproveitei então os intervalos entre as mamadas e arrumei a casa, lavei roupas, passei e cuidei da cozinha. Ao fim do dia estava exausta!A Kátia veio nos ver e como viu ela calminha terminou de cortar as unhas. Com muito cuidado segurou firmemente sua mãozinha e começou a cortar suas unhas. Ficou com medo de machucá-la porque as unhas são muito fininhas e moles. Mas no final deu tudo certo!Convidei a vovó Zita para ir conosco a Florianópolis, ela aceitou, papai achou que era muita gente, mas, eu queria pensar que estávamos indo num passeio com a Letícia, cheguei a falar para ela que ela tão pequenininha já ia conhecer o mar coisa que conheci apenas na minha adolescência, sem eu saber eu estava escolhendo as pessoas que queria por perto no dia mais difícil da minha vida. Comentei com a Kátia sobre a viagem a Florianópolis, eu estava confiante e disse Que bom que tem um lugar que tratam esta doença!

Hoje fico pensando em como nada é certo nessa vida, e como a vida da gente pode mudar num piscar de olhos. No ano passado, nesse mesmo dia, eu estava com minha filha viva, ela estava tão querida, não chorava estava quietinha só chorava para trocar e tomar banho. E dois dias depois, numa manhã de quarta-feira, eu receberia a pior noticia que um médico pode dar a de que minha filha estava com parada cardíaca.