sábado, 27 de maio de 2017

O SENTIMENTO DA PERDA


Poucos segundos são o suficiente para perdermos as pessoas que amamos. Se lembrássemos com mais freqüência o quanto a vida é frágil, certamente valorizaríamos mais nossos amigos, nossa família e até a nós mesmos.
Deixar para amanhã, imaginar a possibilidade de uma segunda chance, acreditar que pode ficar pra depois são probabilidades tão instáveis! Esquecemos que não temos nenhum poder sobre o tempo, sobre o mundo e nem sobre os acontecimentos. A verdade é que a maioria sai de nossas vidas sem despedidas, sem avisos prévios e deixam apenas lembranças, um coração apertado, um coração cheio de “e se isso” e “e se aquilo”.
Deixe com as pessoas que você ama palavras de amor, gestos sinceros que demonstre a importância delas na sua vida. Dê a quem você ama dedicação, abraços, sorrisos, dê sempre o melhor que puder enquanto há essa opção. O arrependimento pelo que não foi feito, pelo que não foi dito, pelo que poderia ter sido é amargo demais e eu te aconselho a não experimentá-lo! E para que o arrependimento seja evitado basta amar, amar muito, deixar o medo, as inseguranças de lado. Dar valor ao simples, ao verdadeiro, as aproximações, aos afagos, ao puro, ao fiel, ao que dá saudade... Dar valor as pessoas e menos valor as coisas. Dar valor ao tempo e menos à preguiça e ao complicado.
A dor da perda, à hora da partida, a questão não é ficar esperando por essas coisas. Mas é conseguir, quando esse momento chegar, sentir, além da dor, paz com tudo o que foi vivido, ao menos ter a certeza do quanto foi feliz tudo o que passou e que tudo que poderia ser feito realmente foi. Que ao perdermos quem tanto amamos, possamos apenas ter de suportar a dor da perda... E não ter também de superar a dor de não ter perdoado, de não ter falado, de não ter conversado, de não ter ido atrás, de não ter feito um pouco mais... A dor de perder quem amamos não é tão terrível quanto a dor de não ter conseguido demonstrar amor, vivido o amor, enquanto houve vida.

Assinado: Jotaefe Oliveira.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O mundo não para, os segundos correm, o tempo passa…

Morte. A palavra, por si só, já carrega um peso. É a única certeza que temos na vida, a de que todos morreremos um dia. Mas é difícil se preparar para perder alguém. Algumas almas elevadas conseguem lidar bem com as perdas, mas acredito que a grande maioria das pessoas não está pronta para ver arrancado de sua vida alguém que ama. A gente sente uma saudade diferente. É uma saudade amarrada pela certeza de que nunca vai passar. É uma saudade que vai ser eterna. A gente apenas se acostuma a conviver com a ausência, mas não esquecemos, não deixamos de sentir falta… as memórias permanecem, o peito aperta em cada lembrança, e só o tempo mesmo para acalmar o coração…
A compreensão da morte vai depender da crença religiosa de cada um. Cada um interpreta o ato de morrer de uma forma diferente. Para alguns, voltaremos em uma nova encarnação; para outros, ali acaba a vida…. Teorias não faltam para tentar explicar a morte… Mas o fato é que é difícil perder alguém. Para mim, pelo menos. Um vazio parece invadir nosso peito, a sensação de que você não está vivendo aquilo, uma vontade de que seja tudo um sonho, um desespero que a gente não consegue explicar… O descontrole inicial passa, e você cai na real: a pessoa já não está em sua vida, não daquele jeito a que você estava acostumado.
Aquela rotina que vocês cumpriam já não existe. Você sempre espera a pessoa chegar naquela hora de costume, mas ninguém bate à porta… No horário do telefonema, ele simplesmente não toca… Ouvir a voz dando bom-dia, ouvir a voz falando qualquer coisa… As fotos trazem lágrimas, você pensa que podia ter feito tanta coisa mais, pensa que podia ter falado tanto mais, pensa que podia ter feito algo diferente, ainda que não tenha feito nada de errado… Enfrentar a morte é um processo que exige tempo para que consigamos lidar melhor com a situação, com a ausência em si… 
Mas a vida segue seu rumo, impiedosa. Os dias continuam passando a cada 24h e o resto de sua vida caminha a passos largos, ainda que você precise dar um tempo de tudo. Só que hoje, não temos tempo nem para o luto. Não que ninguém deva se entregar à dor e lá ficar. Não é isso… A questão é que é impossível exigir que funcionemos como se nada tivesse acontecido. É impossível desvincular o emocional das nossas rotinas diárias. Mas a nossa sociedade apressada não quer saber disso. Não temos mais tempo para chorar. Ou então choraremos a caminho de algum lugar, ou enquanto executamos alguma atividade…
A fase de luto não é fácil. Dói, machuca… nossas lembranças se viram contra nós, porque trazem à tona as imagens que gostaríamos de esquecer. O mundo não para, os segundos correm, o tempo passa… Sinto falta de termos mais tempo pra gente. Sinto falta de termos tempo pra ficar em casa vendo sessão da tarde e comendo pipoca… Porque um dia nós é que vamos morrer… e a perda me fez pensar no quanto é importante se preocupar com o que você anda fazendo da sua vida… Eu queria poder ter mais tempo pra chorar, mas ela, minha amada Letícia, tenho certeza de que só ficará feliz quando me vir rindo, lá de cima… 
As lágrimas ainda caem, mas o riso já estampa meu rosto, em homenagem a ela Um dia seremos cada um de nós, deixando esse mundo.  Toda perda nos faz refletir…. Eu quero aproveitar cada momento que eu posso ter ao lado das pessoas que amo. Quero aproveitar cada segundo ao lado delas… Chorarei pela perda de cada um que amo, mas farei brilhar no rosto um riso, por ter podido compartilhar tudo o que foi possível enquanto estavam ao meu lado.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

- Por que continuar se deveria ter falecido junto com minha filha?

Uma mãe de luto é um ser muito, muito delicado, cheio de amor, emoção e expressão. 
Dentro dela há uma mistura de sentimentos e emoções, amor, saudade, dor, tristeza, revolta.
O que parece deixa-la tão forte e fazendo com que ela siga em frente visto do lado de fora, é esmagador e devastador dentro dela.
Com o tempo esses sentimentos podem tornar-se reservados e retidos. Isso então dará a horrível sensação de fraqueza, pois quando nós retemos os nossos sentimentos, eles começarão a manifestar nossos relacionamentos. E isso pode ser muito angustiante às vezes.
A boa coisa a lembrar é de que a fraqueza pode, na verdade, dar força. A luta de dor profundamente enraizada torna-se a raiz da força. Todos os pais em luto tem força. Afinal eles sobrevivem da dor amarga da morte de seu filho. Sei disso porque sou um desses seres, que apesar de destruídos por dentro, mantém-se em pé e lutando com a pergunta diária:
- Por que continuar se deveria ter falecido junto com meu filho?
Não há dor maior conhecida na espécie humana, quando ficamos de luto, temos esse sabor amargo em nossas bocas.
Tal como acontece com todas as outras partes da devastação, resta apenas um fator para nos ajudar: o tempo.
Tempo...um tempo para sentir... Um tempo para aceitar e um tempo para curar. Não que o tempo realmente cure, apenas faz com que ela cicatrize.
De tempos em tempos, especialmente em datas especiais para quem ainda vive, essa cicatriz abre e sangra, e leva mais um tempo para que ela torne a parar de doer.
O luto é um processo do dia-a-dia, enfrentar os adversários, também ganhando força. Não nem sempre sentimos, vemos ou sabemos...
Mas, doces amigas, estará sempre lá, a dor, o amor, a saudade...
Mantenha-se na esperança, e saiba saber que sua luta e obstáculos um dia serão sua força e inspiração.

Paz, amor e carinho para todas as mamães de anjo!
Carissa Fowler.

terça-feira, 23 de maio de 2017

quando penso em você

E nesse momento de saudade,
quando penso em você,
quando tudo está machucando o meu coração
e acho que não tenho mais forças para continuar;
eis que surge tua doce presença,
com o esplendor de um anjo;
e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante...


Tudo isso acontece porque amo e penso em você...
William Shakespeare

domingo, 21 de maio de 2017

Ajude a mamãe a aguentar firme até a minha hora

Olho para trás e não sei como sobrevivi a tamanha perda, a tamanha dor...
 já tentei de tudo, experimentei sentimentos muito loucos e muitas vezes quase de surtar...
 tive:
 medo,
 dor,
 tristeza,
 culpa,
 desespero, 
mais desespero, 
saudade,
 muita saudade, 
mais saudade,
 revolta,
 raiva,
 consolo,
 conforto,
 vontade de morrer,
 vontade de seguir e não ver como, 
vontade de ser mais forte e as vezes ser fraca demais, 
vontade de acordar e ver que era apenas um pesadelo,
 vontade de rezar mais,
 de conseguir ouvir nitidamente a voz de Deus. 
E hoje, posso dizer apenas o seguinte: estou de pé!
 Estou aqui filha, sem a sua presença física, mas você bem viva dentro de mim, assim como você está hoje no colo do Pai, eu também estou, sendo carregada por Ele. Sem a força que recebo diariamente de Deus, e do papai jamais conseguiria. É preciso muita sabedoria para entender os propósitos de Deus. A fé realmente move montanhas, e ela move a minha dor quase que mortal a se tornar mais suave, menos insuportável.
Trouxe alegria pra minha vida, sentido, razão pela qual levantar todos os dias...
A dor é inevitável sendo o sofrimento opcional. Vivem me dizendo isso e é verdade. Tem dias que opto por sofrer e me permito isso, choro até perder as forças, enxugo as lágrimas e vou trabalhar. E um dia de cada vez, é assim.. jamais vou te esquecer e deixar de te amar minha pequena princesa, hoje não consigo entender mais um dia tudo vai ter fim.. nossa jornada é juntas, nosso amor é maior, é verdadeiro, te carreguei dentro do meu ventre por 34 semanas, hoje na minha alma. Com você foi meu coração, cuide dele pra mamãe.
e sempre á levarei,..e veja que presente Deus me deu..."UM ANJO" ...estamos a um passo meu amor,ajude a mamãe a aguentar firme até a minha hora,e assim ter a eternidade pra te abraçar e ouvir sua voz, te beijar, te pegar no colo!